A F-1 nunca mais foi a mesma depois daquela morte trágica no GP
de San Marino na Itália, em 1994.
Lá se vão exatos 18 anos sem Ayrton
Senna. Os mais novos acham que é apenas o nome atual da antiga Avenida do Jiqui,
na Zona Sul de Natal; os que têm seus mais de 20 anos sabem quem foi ele - um
piloto brasileiro de F-1 que morreu tragicamente em um acidente no GP de Imola,
na Itália, em 1994, quando seu carro perdeu a direção e acertou em cheio em um
muro.
Depois disso, por muitos anos, assistir a uma corrida de F-1 pela
TV nas manhãs de domingo foi duro; só agora é que os ânimos começam a ser
retomados, com muito brasileiro depositando esperanças em Felipe Massa, em Bruno
Senna (sobrinho do homem!) e em Rubens Barrichello. Certo é que Ayrton deixou
uma legião grande de admiradores "órfãos" mundo afora, uma legião que ainda o
admira depois de tanto tempo - e, se não tivesse se encontrado com o "maldito"
muro na Itália, o piloto estaria hoje com 52 anos de
idade.
Ayrton quem?Mas, de quem se trata? Senna - na
identidade constava Ayrton Senna da Silva - nasceu no dia 21 de março de 1960 em
São Paulo (SP), filho do metalúrgico Milton da Silva e da dona-de-casa Neide
Joana Senna. Depois a família tomou o rumo do interior. Diz a lenda que aos 7
anos, Senna surpreendeu os pais ao pilotar um jipe da família... sem embreagem!
Certo é que desde novo ele mostrava um certo gosto por automóveis e corridas -
apesar de apresentar na época um probleminha de coordenação motora, que mais
tarde foi corrigido.
Tinha 9 anos quando fez sua primeira corrida de
kart. Era o ano de 1969, e o local era um terreno, um loteamento em Campinas
(SP) - "O grid era decidido no sorteio de papel picado dentro do capacete: o
número que saísse era a colocação do piloto na largada!", contaram ao repórter,
há muitos anos, Wandyr Villar e Abmael de Souza, dois entusiastas da carreira do
piloto. "Como ele era o mais novo, foi o primeiro a tirar o papel. Foi o
primeiro no grid, fez a pole-position mas na largada caiu para terceiro e
sustentou a posição até quatro voltas do final, quando o quarto colocado tocou
em seu kart. Senna capotou e não terminou a prova...".
Quem disse que o
rapazinho desistiu? Em 1973, em Interlagos, venceu sua primeira corrida e kart -
a primeira vitória de muitas. Em 1974 sagrou-se campeão paulista da modalidade,
em 1975 já era bi paulista e vice-campeão brasileiro. Em 1976, ficou em terceiro
no Brasileiro; em 1977, foi campeão sul-americano, vice brasileiro e vice
paulista; em 1978, conquistou o primeiro título brasileiro, foi bicampeão
sul-americano, vice-campeão paulista e ainda chegou entre os seis melhores
pilotos do Mundial de Kart; em 1979, foi vice-campeão mundial. Vice-campeão
sul-americano e bicampeão brasileiro - nesse ano ele ainda deu uma "passadinha"
em Natal, onde participou de uma corrida no pátio da Ceasa (e, para variar, foi
o campeão); e em 1980, foi tricampeão brasileiro e sul-americano, e vice no
Mundial.
Há um fato curioso a respeito dos Mundiais de kart de 1979 e
1980: consta que Senna só perdeu as competições por não levar a bandeira do
Brasil na bagagem. "O regulamento da época exigia que cada piloto levasse a
bandeira de seu respectivo país. Nesses dois anos Ayrton não tinha bandeira, e
acabou desclassificado", lembraram Wandyr e Abmael. É bem possível quem, depois
destes deslizes, o homem nunca mais tenha esquecido a bandeira... que tornou-se
um símbolo de vitória após cada êxito na F-1, quando ele a punha na mão.
F-1A esta altura, o kart estava ficando pequeno
para Senna. Tocou a vida e as competições para frente. Em 1981, foi tetracampeão
brasileiro de kart e ficou entre os quatro melhores do Mundial - achou pouco e
foi campeão inglês na F-Ford 1.600. Em 1982, já não estava mais no kart: foi
campeão inglês e europeu na F-Ford 2.000. No ano seguinte, conquistou o
campeonato inglês da F-3, então considerada um "vestibular" para a
F-1.
Falando na F-1, ainda estava na F-3 quando fez um teste na Williams
- consta que Senna dirigiu o carro de Keke Rosberg (pai de Nico Rosberg) e, em
apenas quatro voltas, derrubou os tempos da pista, de Rosberg e até de Jack
Lafitti, outro piloto da Williams. Eis que em 1984, Ayrton Senna ingressou na
F-1 - mas não na Williams, e sim em uma equipe pequena, a Toleman (mais
precisamente, a Toleman-Hart) - e arrancou um nono lugar na classificação do
Mundial de pilotos, mostrando que vinha para virar a categoria do avesso:
afinal, nesse ano ele conquistou o segundo lugar no tradicional GP de Monte
Carlo, em Mônaco, sob forte chuva (e aí passou a ser chanmado de "Rei da Chuva")
e ficou entre os seis primeiros no GP da África do Sul, onde se esforçou tanto
que saiu todo doído e meio troncho do carro...

No ano de 1985 o brasileiro foi para a Lotus -
então notabilizada pelos carros pretos. Foiaí que conquistou a primeira vitória
na categoria - no GP de Portugal, no circuito de Estoril, ficou em primeiro
depois de uma corrida com água "na canela", onde fez a pole-position e ainda
bateu o recorde da pista... e também, venceu em Spa Francorchamps, na França,
também sob chuva. Em 1986 repetiu o quarto lugar geral, com duas vitórias (a
esta altura o carro já não era preto, e sim amarelo) e, em 1987, último ano na
Lotus, terminou a temporada em terceiro (com vitórias em Monte Carlo - desta vez
sem chuva - e na pista de Detroit, nos Estados Unidos).
Os
maiores títulosEm 1988 Senna foi parar na McLaren. E foi campeão,
com 8 vitórias seguidas - sendo o primeiro piloto na história da F-1 a obter tal
feito - e 13 pole-positions! Em 1989 quase foi bicampeão, tendo que se contentar
com o vice-campeonato após ver um título considerado certo ser "chechado" no GP
do Japão por obra de franceses. A história ficou célebre: o barsileiro e o
francês Alain Prost - que era companheiro de escuderia! - estavam em franca e
acirrada disputa, e se "tocaram" em um "S" do circuito japonês, o suficiente
para o então presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA),
Jean-Marie Balestre - tão francês quanto Prost! -, acusar o brasileiro de cortar
caminho... e Senna perdeu os pontos da prova (o que deu o título daquele ano a
Prost).
No ano seguinte, a vingança foi "maligna": Senna foi campeão sem
deixar espaço para ninguém discutir nem questionar, nem o Balestre, com 6
vitórias (dizem as más línguas que teve dirigente se roendo de raiva, mas fazer
o quê?). Pronto, o brasileiro já era bi na modalidade. Em 1991, veio o
tricampeonato, com sete vitórias - entre elas a consagração no GP de Interlagos,
a primeira conquista em casa, onde pilotou o carro nas últimas cinco voltas
apenas com a sexta marcha (o resto havia travado!).
Em 1992 ficou em
quarto no Mundial de pilotos, com três vitórias; e em 1993, seu útlimo ano na
McLaren, foi vice-campeão com cinco vitórias - entre elas estão o GP de
Interlagos (com direito à multidão invadindo a pista e tudo!) e o GP da
Austrália.
Morre o homem, nasce o mito